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Diagnóstico precoce eleva as chances de cura da doença

02/10/2018 às 15:14

Diagnóstico precoce eleva as chances de cura da doença

 A luta contra o câncer infantil ganha mais visibilidade neste mês, com o Setembro Dourado. A campanha nacional foi criada para alertar sobre a importância do diagnóstico e o tratamento precoce da doença.



De acordo com dados levantados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil o mal já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Porém o câncer infantojuvenil é considerado uma doença rara porque de cada 100 pessoas doentes, 3 são crianças e adolescentes.



O câncer infantojuvenil engloba vários tipos de câncer. As leucemias representam o maior percentual de incidência (26%) nessa faixa etária, seguida dos linfomas (14%) e tumores do sistema nervoso central (SNC) (13%), conforme o Inca.



O desafio, porém, está na atenção dada ao diagnóstico precoce do câncer. Incontáveis casos ainda são diagnosticados tardiamente ou em estágios avançados. Isso diminui a chances de sucesso no tratamento, segundo Raquel de Almeida da Silva, responsável pelo setor de comunicação da Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACC).



“Leve o seu filho ao pediatra, verifique os sintomas. Manchas no corpo, manchas roxas, olhar mais claro, febre, vômito, dores na perna, no osso, perda de peso, essas são as visualizações de que pode haver um câncer”, alertou.



Luta árdua



Luciana Regina Lauro percebeu que havia algo de errado com sua filha em 2015. Adrielly Carolina Lauro de Sousa tinha apenas quatro anos quando surgiram os primeiros sintomas.



“A gente descobriu que ela estava com uma anemia muito forte. As palmas das mãos brancas, o olho branco”, relembra a mãe.



Residentes de Aripuanã (960 km de Cuiabá), as duas tiveram que passar por inúmeros médicos e cidades diferentes até que o diagnóstico fosse claro.



“Tinha um exame que dava negativo, não tinha como saber o que era. Nós então fomos para Juína e, de lá, para Sinop. Lá em Sinop eles descobriram que poderia ser a leucemia”, afirmou Luciana.



Quando finalmente recebeu a confirmação de que Adrielly estava com a doença, Luciana diz que seu mundo desabou. Ao relembrar desse momento, a mãe não aguenta e se deixa levar pelas lágrimas.



“Foi um baque, do nada. Receber aquela notícia foi um choque para mim. Tem a alimentação que é diferente, os cuidados são dobrados e criança não é fácil”, diz a mãe muito emocionada.



Durante esse período, a saúde da menina começou a piorar. A mãe conta que a filha começou a ficar pálida, não comia direito, até que chegou o ponto em que Adrielly não conseguia mais andar. A criança, então, foi encaminhada com urgência para o Hospital de Câncer de Cuiabá.



“O doutor pediu com urgência os exames dela e na mesma semana saiu o diagnostico. Ela ficou internada no HC e já iniciou a quimioterapia”, diz.



A menina ficou três meses internada e sua mãe ficou ao seu lado todo o tempo. Nesse período, Adrielly passou por algumas intercorrências. Sofreu com pneumonia e ainda precisou fazer uma cirurgia para implantar o cateter e de apendicite.



“As veias dela eram bem fracas e colocaram esse aparelho para ela conseguir passar pela quimioterapia”, As sessões de quimioterapia foram muito agressivas para a menina. Ela perdeu muito peso e cabelo. A mãe também contou que Adrielly passava muito mal após receber as medicações.



“Tinha dia que ela tomava a medicação e não dava reação, mas no outro dia já não podia tomar por causa da baixa imunidade. Tinha químio que ela fazia e durava 24 horas”, lembra Luciana.



Em abril de 2015, as duas foram acolhidas pela AACC, pois não tinham condições de se manter na Capital. Porém elas chegaram a passar 10 meses sem voltar para casa.



Mesmo tendo o apoio da ong com transporte, alimentação, medicação e outros, Luciana passou por um período espinhoso. Ela precisou pedir demissão do emprego de operadora de caixa em um posto de combustível, em Aripuanã, pois precisava de tempo integral para a filha doente.



A menina ainda tinha diversas restrições alimentares que preocuparam Luciana. Todo tipo de alimento industrializado é proibido e também a ingestão de vegetais crus como alface.



Em meio a tudo isso, Adrielly ainda tinha medo de enfermeiros e médicos. A mãe conta que a filha ficava muito nervosa durante os procedimentos médicos.



“Quem me conheceu no começo, sabe que ela deu muito trabalho para mim porque ela era muito nervosa”, recorda.



Vitória



Apesar dos desafios de viver essa doença, Luciana revela que nunca deixou se entregar. Após três anos e meio de tratamento, Adrielly deu início à fase de manutenção. Agora a menina tem consulta uma vez por mês no Hospital de Câncer.



Apesar o tratamento durar cerca de cinco anos, o paciente só é considerado totalmente livre da doença depois de 8 a 10 anos.



Mas isso não tira a felicidade da mãe em ver sua filha se alimentando direito, com energia para brincar e voltar a estudar.



“Estou muito feliz. Hoje ela já está fora de tratamento. Agora ela come, mas todo cuidado é pouco”.



Adrielly também se prepara para retirar o cateter em outubro e já não precisa mais tomar nenhum medicamento. Depois desse processo, ela fará o acompanhamento a cada três meses.



Isso abriu novas oportunidades para Luciana. Agora ela quer um emprego fixo para manter a filha quase curada.



“Estou esperando o médico falar que só precisa vir a cada três meses para eu começar a procurar um emprego”.



Ajuda na luta contra o câncer



No mês de setembro, a AACC realiza diversas ações para alertar sobre o câncer infantil. Segundo vice-presidente Benildes Aureliano Firmo, foi possível salvar mais vidas em 2017 com o diagnóstico precoce.



“Ano passado nós tivemos 54 casos novos. Esse ano já são mais de 20 casos novos. Esse ano, tivemos 13 óbitos. Apesar dos casos terem aumentado, os óbitos diminuíram. Isso por causa do diagnóstico precoce”, apontou.



Além disso, a ong também pede aos médicos que fiquem alertas aos sinais da doença nas crianças.



“A gente pede aos médicos para fazerem os exames preliminares para o diagnóstico precoce. Isso pode amenizar a vida dessas famílias”, afirma Benildes.



Conforme a assistente social Jéssyka Leite, a AACC é financiada apenas por doações e acolhe famílias carentes que estão em tratamento de câncer, crianças ou adolescentes.



São famílias que vêm do interior, de outros estados e até de outros países, que não têm condições de se hospedarem em algum lugar.explica.
“Esse é o momento que a gente acolhe essas famílias que realmente necessitam. Até mesmo porque o câncer é uma doença bem complexa, bem grave, que precisa de uma assistência singular tanto como medicação quanto alimentos”, explica a assistente social. Com capacidade de abrigar 40 pessoas, a instituição atende 432 beneficiários em Mato Grosso.



A ong fornece um apoio diário para as crianças, adolescentes e suas famílias.



“O acompanhamento é diário, o que a gente pode fazer, a gente faz”, completa Jéssyka.



Aqueles que desejarem colaborar com a instituição ou até mesmo quem precisa dos serviços pode entrar em contato pelo telefone 3025-0800, no site: aaccmt.org.br ou pelas redes sociais, Facebook e Instagram.

Fonte: Midia News

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